19 de junho de 2026
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Transnordestina: Pernambuco não pode assistir de fora à nova geografia logística do Brasil

A reportagem da Folha de S.Paulo de 18 de junho traz uma informação de enorme relevância estratégica: o grupo CSN, controlador da Transnordestina Logística, apresentou ao Governo Federal uma nova proposta para alterar a ligação da ferrovia que vai até Pecém com a Norte-Sul, deslocando a conexão originalmente pensada pelo Maranhão para um novo traçado pelo Tocantins.

Na prática, trata-se de uma mudança que pode redesenhar a geografia logística do Brasil. A interligação da Transnordestina com a Ferrovia Norte-Sul, associada ao Porto do Pecém, no Ceará, cria um corredor competitivo de exportação, especialmente diante da crescente centralidade da China no comércio internacional e da necessidade brasileira de escoar produção com menor custo e maior eficiência.

O Ceará tem tudo para sair fortalecido. Também ganharão os estados atravessados por esse novo trecho. Pernambuco, porém, não está nessa rota. E esse fato precisa acender um sinal de alerta.

O trecho pernambucano da Transnordestina, há anos prometido pelo Governo Federal, ainda não teve seu reinício concretizado. Enquanto isso, o projeto avança por outras frentes, com maior capacidade de atração de investimentos e de apoio político. A consequência pode ser grave: Pernambuco corre o risco de ficar à margem de uma das principais infraestruturas logísticas do país.

É verdade que há questionamentos atuais do Tribunal de Contas da União sobre o trecho pernambucano. Entre eles, estaria a desatualização do projeto, inclusive quanto ao traçado. Em parte, a crítica procede. O projeto precisa ser revisto, modernizado e adequado à nova realidade logística nacional. Pernambuco não pode defender apenas uma ferrovia regional, limitada em sua ambição e em sua capacidade de integração. É preciso pensar em uma ferrovia estratégica, conectada ao Brasil produtivo e às grandes rotas internacionais.

O que não se pode aceitar é que a necessidade de atualização técnica sirva como pretexto para o abandono político do trecho pernambucano. Ao contrário: justamente por sua importância, o projeto exige revisão, prioridade e articulação.

Esse assunto merece muito mais atenção dos senadores por Pernambuco, da bancada federal pernambucana, do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, do setor produtivo e da sociedade civil. Na realidade, não se vê. A Transnordestina não é apenas uma obra de engenharia. É uma disputa por futuro, competitividade, empregos, arrecadação, portos, indústria e presença estratégica no Nordeste.

Pernambuco já perdeu muitas oportunidades por falta de coordenação política e visão de longo prazo. Não pode repetir esse erro agora.

Se a nova conexão da Transnordestina com a Norte-Sul pelo Tocantins representa um ganho para o Ceará e para a logística nacional, Pernambuco precisa fazer a sua parte: atualizar o projeto, defender seu traçado, demonstrar sua viabilidade e exigir do Governo Federal, destravar o TCU e ter uma posição clara sobre o reinício das obras.

A pergunta que fica é simples: Pernambuco quer ser protagonista da nova logística brasileira ou aceitará assistir, de fora, ao redesenho dos grandes corredores de desenvolvimento do país?

A resposta precisa vir agora.

Recife/Olinda, 19 de junho de 2026.
Antônio Campos
Advogado e escritor.

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