Recebo com profunda tristeza a notícia da partida de Raimundo Carrero, um gigante da literatura brasileira, nascido em Salgueiro, e um dos mais importantes escritores de Pernambuco.
Tive a honra e a alegria de ser seu colega, amigo pessoal e também seu advogado. Carrero deixa uma obra imortal e um legado que continuará inspirando gerações de escritores e leitores.
Tenho uma lembrança muito simbólica de nossa trajetória. Há 51 anos, Raimundo Carrero estreou na literatura com Bernarda Soledade, na mesma solenidade em que meu pai, Maximiano Campos, lançou o livro O Major Façanha. Foi um momento histórico da literatura pernambucana, que contou com a presença do mestre Ariano Suassuna.
Também é profundamente simbólica a data de sua partida. Raimundo Carrero, que tinha uma ligação de amizade e admiração por Ariano Suassuna e chegou a iniciar uma biografia sobre o mestre, nos deixa justamente no dia em que Ariano completaria 99 anos de nascimento, neste 16 de junho de 2026.
Há dois anos, tive a alegria de homenageá-lo na Fliporto, um reconhecimento em vida à grandiosidade da sua obra e à sua contribuição inestimável para a literatura brasileira.
Hoje, Pernambuco perde uma de suas maiores vozes literárias. Eu perco um grande amigo. Ficam a saudade, as lembranças e a certeza de que Raimundo Carrero permanecerá eterno através da sua literatura.
Antônio Campos
Advogado e escritor


