O advogado e escritor Antônio Campos acompanhou, nesta sexta-feira (24), a participação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A magistrada participou da mesa “Estado de sítio, estado de sido, estase” e também lançou o livro Pela mão do povo: Democracia e voto no Brasil, obra que resgata a trajetória do voto e da construção democrática no país.
Durante a palestra, Cármen Lúcia fez uma defesa enfática da democracia e destacou que sua preservação depende da participação da sociedade. “A democracia está em nossas mãos. Não está nos palácios, não está nos gabinetes”, afirmou a ministra, ressaltando que o compromisso democrático deve ser exercido diariamente pelos cidadãos.
Em outro momento da conferência, a ministra ampliou a reflexão ao afirmar que a democracia extrapola as instituições e se manifesta nas relações cotidianas.
“Democracia é modelo e prática de convivência humana. Não se acanha nos ambientes institucionais dos Estados, não começa nem termina na política. Na vida pode-se praticar ou não a democracia. Mas em todas as experiências com outros viventes (conviventes) há espaços de liberdade onde se constrói a democracia”, declarou.
Cármen Lúcia também destacou o papel da cultura e da literatura na preservação das liberdades democráticas. “O ditador não gosta da arte”, afirmou, ao defender que a produção artística e literária representa uma das expressões mais importantes da liberdade de pensamento.
Ao apresentar seu novo livro, a ministra ressaltou que a história do voto no Brasil é também a história da conquista da cidadania e da ampliação dos direitos políticos, defendendo a memória democrática como instrumento para fortalecer as instituições e evitar retrocessos.
Após acompanhar a conferência, Antônio Campos destacou a relevância do debate promovido pela Flip.
“A ministra Cármen Lúcia fez uma palestra de elevada densidade intelectual. Sua reflexão sobre democracia, cidadania, literatura e o voto reforça que as instituições democráticas precisam ser preservadas diariamente. Foi uma das mais importantes conferências desta edição da Flip”, afirmou.
Para Antônio Campos, a presença da ministra reafirma o papel da Festa Literária Internacional de Paraty como um espaço de reflexão sobre os grandes temas nacionais.
“A Flip demonstra que a literatura dialoga com o direito, a política, a história e a cultura. A presença de Cármen Lúcia e o lançamento de uma obra dedicada à história do voto mostram que o conhecimento é um instrumento essencial para a defesa da democracia e da cidadania”, concluiu.
