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Paulo Garcia, aquele que ouviu a voz e seguiu

Na última sexta-feira, dia 18 de setembro, celebrou seus 87 anos o arcebispo Dom Paulo Ruiz Garcia, da Igreja Episcopal Carismática do Brasil, uma das figuras mais marcantes da história cristã contemporânea de Pernambuco.
Sua trajetória é conhecida pela pregação simples, direta e amorosa do Evangelho. Uma vida inteira dedicada à fé, ao anúncio da Palavra e, sobretudo, à convicção de que a verdadeira obra de Deus começa quando o homem decide entregar-se inteiramente à Sua vontade.
Dom Paulo gosta especialmente de uma canção chamada “O mundo há de saber”, inspirada numa conhecida afirmação atribuída ao evangelista Dwight L. Moody:
“O mundo há de saber o que Deus pode fazer através de um homem inteiramente rendido à Sua vontade.”
Talvez poucas frases consigam traduzir tão bem a sua própria caminhada.
Quando Dom Paulo chegou ao Recife, encontrou uma realidade completamente diferente daquela que hoje conhecemos. A igreja era ainda lembrada como a antiga “capelinha dos ingleses”. Havia apenas oito senhoras inglesas frequentando a comunidade e, segundo ele próprio costuma contar, quase todas faleceram no primeiro ano de seu ministério.
O cenário poderia ter sido motivo para desânimo. Para ele, entretanto, foi chamado.
Com fé, perseverança e uma disposição incomum de seguir adiante, ajudou a construir uma história que ultrapassaria os limites daquela pequena capela.
Hoje, a Catedral da Santíssima Trindade tornou-se uma grande comunidade cristã, com milhares de membros e três cultos, enquanto dioceses e igrejas ligadas a esse trabalho cresceram pelo interior e pela Região Metropolitana do Recife e pelo mundo.
Mas talvez a dimensão mais impressionante de seu ministério não possa ser medida apenas pelos números.
Em praticamente todas as grandes tradições evangélicas do Recife é possível encontrar pessoas que tiveram seu primeiro contato com a fé cristã, sua conversão ou um momento decisivo de sua caminhada espiritual através do ministério de Dom Paulo Garcia. Muitos desses homens e mulheres se tornaram, posteriormente, lideranças entre batistas, presbiterianos, nazarenos, carismáticos independentes e outras comunidades cristãs.
Qual seria o segredo de uma trajetória assim?
A resposta talvez esteja no pensamento dos escritores ligados à tradição de Keswick e naquele lema pessoal que Dom Paulo extraiu de Moody: a entrega sem reservas a Deus.
E há ainda uma expressão que ele costuma repetir e que resume muito de sua maneira de viver:
“Não olhar o retrovisor.”
Seguir em frente. Não permanecer prisioneiro das dificuldades passadas, dos erros, das incompreensões ou mesmo das conquistas. Continuar caminhando na direção do chamado que recebeu.
Em sua história pessoal, é indispensável registrar também a importância de Márcia Garcia, companheira de vida e de caminhada, cuja presença está profundamente ligada à construção dessa trajetória.
Dom Paulo possui ainda uma especial admiração por São Paulo, sendo profundo conhecedor de sua vida, de sua obra e de sua mensagem. Não parece casual que encontre no apóstolo dos gentios uma referência tão forte: São Paulo também foi alguém que, depois de ouvir o chamado, não voltou atrás.
No próximo dia 28 de setembro, será lançado um documentário sobre a vida de Dom Paulo Garcia, no Teatro do Riomar. Será uma oportunidade de revisitar uma caminhada que se confunde com parte importante da história recente do cristianismo em Pernambuco.
Aos 87 anos, sua maior obra talvez não esteja apenas nas paredes de uma grande catedral, no número de membros ou na expansão de dioceses. Está nas pessoas. Nas vidas alcançadas. Nos homens e mulheres que ouviram o Evangelho através de sua voz e depois seguiram seus próprios caminhos de fé.
Há pessoas que passam pela vida construindo instituições. Outras deixam ideias. Algumas conseguem deixar discípulos.
Dom Paulo Garcia ajudou a construir tudo isso.
Porque um dia ouviu uma voz.
E seguiu.
E sua própria história parece confirmar a frase que tanto ama:
o mundo acaba sabendo o que Deus pode fazer através de um coração inteiramente rendido à Sua vontade.

Recife/Olinda, 21 de setembro de 2026.

Antônio Campos
Advogado e escritor

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