
A disputa pelo Governo de Pernambuco segue completamente aberta e, neste momento, não permite apontar um favorito absoluto. O cenário é de equilíbrio entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), indicando uma eleição que deverá ser decidida apenas na reta final da campanha. Como no futebol argentino, será uma partida disputada até os últimos minutos, na qual qualquer previsão antecipada pode se mostrar equivocada.
Depois de um período em que Raquel Lyra ampliou sua vantagem política, impulsionada pelo fortalecimento da gestão e pela adesão de prefeitos e lideranças municipais, João Campos voltou a ganhar fôlego. O socialista reorganizou seu campo político, retomou o protagonismo da disputa estadual e voltou a aparecer de forma competitiva nas pesquisas de intenção de voto.
Os levantamentos mais recentes demonstram exatamente essa mudança de cenário. Pesquisa divulgada em 10 de julho de 2026 apontou Raquel Lyra numericamente à frente, mas em empate técnico com João Campos tanto no primeiro quanto no segundo turno. Outros institutos apresentaram resultados diferentes, confirmando que o eleitorado permanece dividido e que a corrida eleitoral está sujeita a oscilações.
A aproximação de João Campos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa, hoje, um dos principais ativos de sua candidatura. O eleitorado pernambucano mantém forte identificação com Lula, especialmente entre os segmentos populares, e esse vínculo tende a favorecer o candidato do PSB. Ao mesmo tempo, as indefinições envolvendo o senador Humberto Costa e parte do Partido dos Trabalhadores continuam movimentando os bastidores da política, mas ainda sem produzir impacto perceptível junto ao eleitor comum.
No campo governista, o momento também exige atenção. A ampla rede de apoios construída por Raquel Lyra fortalece sua candidatura, mas não elimina riscos políticos. Em eleições majoritárias, a percepção de vitória antecipada costuma ser um fator de acomodação. O excesso de confiança pode comprometer decisões estratégicas, reduzir a capacidade de reação e afastar a campanha do sentimento das ruas.
Outro desafio da governadora passa pela definição da chapa ao Senado. A escolha dos nomes que irão compor a aliança terá peso político importante na consolidação da campanha. O apoio de prefeitos representa uma vantagem organizacional relevante, sobretudo pela capilaridade no interior do Estado, mas, isoladamente, não garante votos.
A experiência eleitoral demonstra que prefeitos influenciam campanhas, porém não substituem a decisão do eleitor. Alianças amplas precisam estar acompanhadas de identidade política, comunicação eficiente, candidatos competitivos e uma narrativa capaz de mobilizar a população.
Do outro lado, João Campos ainda terá o desafio de transformar a recuperação observada nas pesquisas em crescimento consistente fora da Região Metropolitana do Recife, ampliando sua presença no interior e consolidando alianças capazes de equilibrar a força política construída por Raquel Lyra.
O cenário, portanto, permanece aberto. João Campos demonstra capacidade de reação e volta a disputar a liderança da corrida eleitoral. Raquel Lyra, por sua vez, continua competitiva, mas precisará administrar sua ampla base de apoio, concluir a montagem da chapa majoritária e evitar qualquer sensação de que a eleição já está decidida.
Por dever de transparência, registro que meu voto pessoal será em Raquel Lyra para governadora. Essa posição, entretanto, não interfere na leitura dos fatos. Análise política e preferência eleitoral pertencem a planos distintos.
A realidade deste momento indica que a sucessão estadual permanece indefinida. Ninguém pode ser considerado vencedor antes da abertura das urnas. Em Pernambuco, tudo indica que a eleição será decidida voto a voto, em uma disputa intensa e imprevisível até os momentos finais.
Antônio Campos
16 de julho de 2026


