27 de agosto de 2025
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Estratégia logística do Brasil mira a China pela rota do Pacífico, mas Pernambuco pode ficar isolado

O Brasil está redesenhando sua estratégia logística com foco claro no mercado asiático, especialmente a China. A chamada Rota Amazônica, que promete ligar Manaus a portos no Pacífico, como o de Chancay, no Peru, utilizando hidrovias e rodovias, abre novas possibilidades de integração continental e deve reduzir significativamente o tempo de transporte. Ao mesmo tempo, um projeto ferroviário ambicioso prevê a ligação de Ilhéus, na Bahia, até o mesmo porto de Chancay, em um traçado de aproximadamente 3 mil quilômetros que atravessa estados como Maranhão, Tocantins e Piauí.

 

Essas iniciativas mostram que o Brasil está voltando suas rotas de exportação para o Pacífico e, consequentemente, para a China. Trata-se de uma decisão estratégica, capaz de transformar a competitividade da produção do Centro-Oeste e de parte do Nordeste. Contudo, há um ponto de alerta: Pernambuco corre o risco de ficar ainda mais isolado desse novo cenário.

 

Se a Transnordestina, obra prometida há décadas, mas até hoje inconclusa, não tiver uma ligação efetiva com a Ferrovia Norte-Sul, o estado ficará à margem desse novo corredor internacional. A ausência dessa conexão condenaria Pernambuco a permanecer fora das grandes rotas de exportação, mesmo com um porto estruturado e estratégico como Suape.

 

Em outras palavras, enquanto o Brasil acelera sua integração com a China pela rota do Pacífico, Pernambuco e parte do Nordeste podem assistir de fora. Cabe ao governo federal, portanto, redesenhar a Transnordestina e garantir sua integração. Sem isso, mais uma vez, o Nordeste ficará excluído de um projeto que deveria ser nacional e equilibrado.

Por Antônio Campos

Advogado e escritor.

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