27 de agosto de 2025
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Lusofonia: Quando a língua deixa de ser passado e se torna projeto de futuro

Lusofonia: Quando a Língua Deixa de Ser Passado e se Torna Projeto de Futuro

Por Antônio Campos

A língua portuguesa, por muito tempo, foi tratada como uma herança, um legado que nos chegou com o peso da história, da colonização e da tradição. Mas talvez seja hora de mudar o olhar. A língua que une Brasil e Portugal não é apenas um elo com o passado. Ela é, sobretudo, um motor de possibilidades futuras. Quando falamos em lusofonia, falamos em potência.

Entre Brasil e Portugal, a língua serve como um fio condutor que conecta culturas, economias, saberes e afetos. Ela não é neutra nem uniforme. Carrega sotaques, resistências, adaptações. No português falado nas vielas de Lisboa ou nas ruas do Recife, há mais do que palavras em comum há visões de mundo que se entrelaçam.

Hoje, mais de 260 milhões de pessoas falam português. É uma das línguas mais faladas do planeta, presente na Europa, América do Sul, África e Ásia. O que isso significa, na prática? Que temos, diante de nós, uma rede global com potencial de articulação política, econômica e cultural. E, nessa rede, Brasil e Portugal podem (e devem) assumir um papel de liderança compartilhada.

A cultura é, talvez, o território mais visível dessa força. Artistas brasileiros lotam teatros em Lisboa. Autores portugueses ganham leitores fiéis no Brasil. Podcasts, séries, livros e músicas circulam sem pedir passaporte, alimentando uma identidade plural, moderna e criativa.

Mas a potência da lusofonia não se resume ao campo simbólico. Na educação, universidades portuguesas recebem cada vez mais estudantes brasileiros. No comércio, empresas dos dois lados do Atlântico encontram menos barreiras para dialogar, fechar negócios e inovar. A língua, aqui, é vantagem competitiva — uma ponte que economiza tempo e aproxima interesses.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é outro exemplo de como a lusofonia pode ser ferramenta de cooperação estratégica. De forma ainda tímida, mas promissora, a CPLP articula debates sobre mobilidade, meio ambiente, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. Um esforço que precisa ser ampliado, com mais investimentos, mais protagonismo e, acima de tudo, mais vontade política.

O português que falamos já não é o mesmo da certidão de nascimento dos nossos países. E isso é uma boa notícia. Porque uma língua viva é uma língua em movimento. Cabe a nós decidir se continuaremos tratando o idioma apenas como memória ou se o assumiremos como instrumento de futuro. Entre Brasil e Portugal, entre os países da África lusófona e a diáspora espalhada pelo mundo, a pergunta que fica é: estamos prontos para fazer da língua portuguesa uma estratégia de ação no século XXI?

Se estivermos, a herança vira potência. E a lusofonia deixa de ser conceito para se tornar projeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

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